sexta-feira, agosto 06, 2021

Despised Divulga Dois Singles

Despised - Force Fed Bullshit (2011)

 Fundado em meio à pandemia, o duo de Death/Grind DESPISED, que tem Alex Roque na guitarra, baixo e bateria programada e Saulo Benedetti nos vocais executa um som visceral influenciado por grandes nomes do metal extremo mundial como Lock Up, Terrorizer, Napalm Death, Repulsion, etc. 

Com timbres pesados, palhetadas ultra velozes e um vocal nervoso e encorpado, o Despised já divulgou dois singles em formato de Lyric Video, "Force Fed Bullshit" e "Contaminated" e se prepara para lançar seu debut album "World Decay", que está em fase de mixagem/masterização. As letras prometem ser um ponto forte e ácido da banda. O álbum foi gravado no Hospedeiro Home Recording Studio em Mogi Guaçu-SP e está sendo produzido por Roque. 

Os sons podem ser conferidos no Youtube ou no Bandcamp. 

https://www.youtube.com/watch?v=GzAs4_24sc4

Bandcamp: despisedbr.bandcamp.com
Facebook: facebook.com/despisedbr
Instagram: instagram.com/despisedgrindbr

quinta-feira, julho 22, 2021

::Resenha:: Hauser - Cinza

Hauser - Cinza (2020) - Black Hole Productions

Da cidade de Jaraguá do Sul, interior de Santa Catarina, surge o HAUSER. Banda formada no ano de 2007 com Death Metal, Grindcore e Hardcore em sua bagagem. Após lançar um full-length, dois EPs e um single, os catarinenses chegam ao segundo álbum no ano de 2020, intitulado "Cinza". 

Lançado pela Black Hole Productions, o álbum teve a bateria gravada por Nathan Ricardo no estúdio Tora, na cidade natal da banda. Os vocais, guitarras e baixo foram gravados no Home Studio da Hauser, também em Jaraguá do Sul. Mixagem e masterização ficaram a cargo de William Blackmon, no estúdio The Overlook em Gävle, na Suécia. A arte é assinada por Roger Loss e a foto da banda no CD é do fotógrafo Raphael Günter. O álbum conta com 10 faixas autorais e pouco mais de 21 minutos de duração. 

Em 2016, fiz a resenha do excelente EP "Processo Bokanovsky", cujo nome faz referência ao clássico "Admirável Mundo Novo" de Audous Huxley. O EP, que contava somente com duas faixas, é visceral e direto ao ponto. Em "Cinza", a banda aposta num lado mais sombrio, mas sem deixar a violência sonora de lado. O título do álbum cai como uma luva nas composições, pois traz uma atmosfera mais densa, explicitada tanto na sonoridade quanto nas letras (todas em português), que retratam o momento que o mundo e principalmente o Brasil vem atravessando, com uma abordagem bastante interessante, passando longe de letras carimbadas ou clichês sobre ganância, religão, opressão., etc. Sim, problemas sócio-político-religiosos estão presentes, mas com uma roupagem própria da banda. 

O ponto principal em "Cinza" é o amadurecimento e/ou evolução (por falta de termos melhores) no som da banda. As composições estão mais concisas, até mais técnicas e tem um quê de grindcore brasileiro na essência (especialmente na "malocagem criativa" da bateria), remetendo à nomes como Facada e Expurgo. A produção do álbum é muito justa com a obra, fazendo tudo soar nítida e profissionalmente. Quando o som é extremo com palhetadas e blast beats insanos e um som grave como um todo, a produção tem bastante trabalho para que somente a banda sobressaia e, tanto a captação do som, quanto mixagem e masterização, estão de parabéns, pois a cria pôde ser apresentada da maneira adequada. Em todo o álbum a banda esbanja um vocal gutural intenso e raivoso, mas fácil de entender (ao menos dentro do contexto do death/grind), palhetadas ensandecidas/riffs rápidos e sujos e uma cozinha que deixa tudo mais pesado e violento. 

As transições do Death Metal/Hardcore/Grindcore fluem com naturalidade entre as 10 faixas e nada soa forçado. Blast beats, quebras de tempo e levadas arrastadas empolgam na mesma intensidade e fica difícil destacar uma ou outra música, pois todas são coesas com a proposta da banda e encaixam perfeitamente no full-length. No entanto, com o risco de soar incoerente, as faixas que mais me chamaram a atenção foram "Mar de Árvores", "Transgride/Destrói", "Erro" e "Ato de Jurar". 

"Cinza" é uma obra muito bem trabalhada, com sentimento palpável, atenção à todos os detalhes, como parte visual, com uma arte quase minimalista, traduzindo a proposta direta e sem atalhos do Hauser, e com composições bem produzidas e criativas em um gênero difícil de se destacar. 

Adquira o álbum ou ouça no link abaixo:

BLACK HOLE PRODUCTIONS

Redes sociais da banda: 

facebook.com/hausergrind
instagram.com/hausergrind

sexta-feira, outubro 23, 2020

::Resenha:: Scalped - Manufactured Existence Obsolence

Scalped - Manufactured Existence Obsolence (2019)

 

Após um ano de silêncio no blog, lentamente retornamos aos trabalhos.

E a escolha para marcar esse retorno, parece um tanto acertada. Para contrapor ao período de estagnação desse meio de comunicação, escolho um álbum com um verdadeiro poder bélico. Manufactured Existence Obsolence é o segundo álbum dos mineiros do SCALPED. Quem acompanha a banda, sabe a avalanche que foi seu debut-album, “Synchronicity of Autophagic Hedonism” e, portanto, a missão de lançar um sucessor a este trabalho, seria ingrata e carregada de muita pressão. Certamente fãs e mídia especializada aguardavam com grande expectativa pelo novo petardo. E, sem nenhum suspense, já adianto, que decepção não teve vez aqui.

O Scalped nem deixou a poeira do álbum de estreia baixar e sacou da manga o filho maldito número 2, novamente lançado pela Songs For Satan. A mixagem e masterização ficaram por conta de Marcelo Roffer, no Estúdio Roffer em Belo Horizonte-MG, onde a banda também gravou o full. A incrível parte gráfica leva a assinatura de Pablo da PMP Artwork, com referências ao grande artista H. R. Giger. e merece uma atenção especial.

O trabalho dos mineiros conta com dez faixas, sendo duas introduções instrumentais. A parte lírica do álbum também é algo que salta aos olhos, pois denunciam letras com conteúdo e boas críticas, além de títulos criativos como “Cognitive Taxidermy”, “Venereal Social Darwinism” e “Stoic Cataclysm”. Nada daquelas letras genéricas apoiadas no pensamento de que “ninguém vai entender mesmo”.

A parte musical, como já esperado antes do primeiro acorde, é o descarrilamento de um trem (com o perdão da brincadeira com os mineiros). Brutal Death Metal solidificado. E, se o primeiro álbum já era tudo isso, nesse, a banda demonstra claramente uma evolução sonora. Mesmo com a perda de um guitarrista, o som amadureceu. É interessante notar como isso ocorre com uma certa frequência. Talvez a banda se torne mais unida após a perda de um integrante e o entrosamento decola. Meras suposições. O fato é que, a essência da banda foi mantida, mas o Scalped não teve medo de inovar e até desacelerar em certos momentos, apostando em levadas com mais groove e um pouco de metal tradicional, como em um ou outro solo. Mas não se engane, toda a brutalidade do metal extremo está presente em peso. O rolo compressor formado pela cozinha (Bruno no baixo e Marcelo na bateria), os blast beats e o peso dos bumbos, além do vocal extremamente grave de Fernando forjam a violência do Scalped. Os riffs venenosos da guitarra de Thiago, que agora segura o rojão sozinho, são a base de sustentação da insanidade que é este álbum.

Destaco as faixas “Dissociative Catalepsy”, com uma dinâmica muito interessante, misturando bem a brutalidade do metal extremo com momentos mais experimentais e tradicionais, com um solo bem trabalhado. Ambas as intros “The Tyrants Architecture” e “Indoctrinated Infected Awareness” também são muito bem desenvolvidas e de fato possuem uma atmosfera de introdução, que criam uma expectativa do que vem pela frente no ouvinte. E o que vem pela frente à segunda intro é “Polytheistic Necromancy”, com uma das levadas mais envolventes do CD. O solo do baixo que precede uma base arrastada é o grande momento da composição, remetendo à obras de Six Feet Under, Obituary e, claro, Dying Fetus. Em “Aphasia”, a banda fecha o excelente trabalho, onde fica difícil pontuar um único destaque, pois os solos são realmente muito bons e harmoniosos, a linha do baixo é palpável, pesada e muito boa, os pedais duplos soam como metralhadoras e a garganta de Fernando vociferando e expelindo ódio sonoro.

Essa resenha tardou (E MUITO), mas saiu. Não poderia deixar de falar sobre mais este petardo de uma das bandas mais insanas do Brasil. Ainda mais quando a qualidade musical se equipara à qualidade lírica, fazendo referências à ciência, cientistas e importantes pensadores.

Altamente recomendado!

HAIL SCALPED!

Onde comprar: 

Heavy Metal Rock

terça-feira, outubro 22, 2019

Scalped divulga capa e título de novo álbum

Scalped - Manufactured Existence Obsolescence
Após a agressão sonora lançada em 2017 sob o título de "Synchronicity of Autophagic Hedonism", os mineiros do Scalped retornam com mais um full-length, o segundo da banda. O sucessor do debut levará o nome de "Manufactured Existence Obsolescence" e contará com dez faixas e se a linha seguir os trabalhos anteriores (o que é muito provável que aconteça), não restará pedra sobre pedra, pois tanto o EP de 2014 quanto o primeiro álbum da banda demonstram um Death Metal brutal, veloz e visceral. Uma das obras mais violentas apresentadas no metal nacional underground que acabou criando uma grande expectativa para a sequência do trabalho. 

O novo full-length apresenta uma capa de extremo bom gosto e qualidade impecável. O artista responsável pela arte é Pablo MP da "PMP Artwork Production". Uma das diferenças entre o primeiro álbum e a nova obra é que dessa vez a banda é constituída de um quarteto, após a saída do guitarrista Claydson. 

Todos os integrantes da formação atual fazem parte da banda desde o início de suas atividades em 2012. A saber: Fernando Campos (vocal), Thiago Macedo (guitarra), Bruno Mota (baixo) e Marcelo Augusto (bateria). 

Enquanto o novo álbum ainda não colide contra os tímpanos dos headbangers, ouça outras composições do Scalped abaixo:

sexta-feira, agosto 02, 2019

::Resenha:: Reversed - Ignition to the Apocalypse

Reversed - Ignition to the Apocalypse (2018)

Mineiros de Poços de Caldas, o Reversed foi fundado no ano de 2015. E em 2018 lançam seu primeiro trabalho, o full-length "Ignition to the Apocalypse", composto de nove faixas e vinte e oito minutos de duração. Lançamento nacional através do selo Extreme Sound Records, gravado, mixado e masterizado no Gilson Home Studio, produzido por Gilson Ghigiarelli e pelos músicos da banda, Sérgio Alcântara (guitarrista) e Caimi Nery (baterista). A capa leva a assinatura do grande Marcelo Vasco, que já trabalhou com Slayer, Kreator, Testament e outros. 

O Reversed pratica um Death Metal cru, direto ao ponto, sem firulas e invenções desnecessárias. O som é pesado, bruto e denso. Suas letras abordam críticas à religiões e políticos, violência e guerra. O álbum inicia-se com "New Inflexible Aurora", uma espécie de faixa-introdução com um minuto e vinte segundos de duração, que apresenta o som de confrontos armados e uma tradicional sirene de ataque aéreo seguido do metal extremo que certamente bebe da fonte de outras bandas mineiras. Com uma veia oldschool, a banda investe em palhetadas e blast beats muito velozes. A sonoridade do baixo vem com grande notoriedade e peso. O vocal gutural de Frank Jones possui um timbre bastante grave, que embora seja característico do estilo, também encaixaria com facilidade em uma banda de grindcore. Apesar da brutalidade sonora, é interessante notar que também há uma atenção para partes melódicas (dentro do que o gênero permite, claro), solos e trechos cadenciados. "Reversed - The Exterminator of Wretches" mostra levadas compassadas, além de um bom repertório do vocalista, com vocais mais agudos e rasgados, 

Em "Manifest in Fury" e "Forging Extinction" a linha do baixo mostra a grande importância do instrumento na banda, tornando a obra mais sólida e completa, com muito peso e coesão, encaixando muito bem na proposta do som. "Southeast Warfront" tem uma veia tradicional do Death Metal, com um quê do metal extremo brasileiro e alguns elementos experimentais que dão resultados interessantes à composição. "Plague Eradication" tem uma pegada interessante, quase pendendo ao Heavy Metal, como se fosse uma versão extrema de um som clássico. Ao mesmo tempo em que possui outros trechos na linha death/black e destila solos de guitarra em uma pegada oitentista. Tudo isso faz com que a faixa seja uma das mais completas e complexas do álbum. 

A faixa-título "Ignition to the Apocalypse" é a que encerra o full-length e trata-se de uma das mais brutais de todo o trabalho. Com blast beats e riffs que assemelham-se à uma metralhadora de alto calibre, a escolha desta faixa para fechar o trabalho foi acertada, pois resume bem o que é a banda. E assim como se inicia, o álbum encerra com ruídos de guerra, o que combina e muito com a musicalidade dos bangers. Resumidamente: se o seu negócio é metal extremo, veloz, bruto e sem frescuras, você deve cair de cabeça neste álbum. 

Algum tempo após o lançamento do álbum, o vocalista e guitarista Frank Jones deixou a banda e foi substituído pelo vocalista Raul Frezza. A formação atual, além do novo vocalista, conta com Franklin Mello (baixo), Sérgio Alcântara (guitarra) e Caimi Nery (bateria). 

O álbum está disponível nas versões física e digital. Confira abaixo:

CD físico:


CD digital:

quinta-feira, agosto 01, 2019

::Resenha:: Kultist - The Black Goat

Kuktist - The Black Goat (2019)

Intitulando seu som como Dark Metal, o Kultist apresenta uma proposta muito interessante e que foge do óbvio. Com integrantes de São Carlos e São Paulo (SP), a banda é formada por três mulheres e um homem. E uma coisa é certa: experiência é o que não falta ao quarteto. O lineup conta com Yasmin Amaral (guitarrista - Eskröta e S.U.C.), Karine Campanille (baixista - MauSangue, ex-Föxx Salema), Letícia Figueiredo (baterista - ex-Avec Tristesse, ex-Venin Noir) e Daniel Pacheco (vocalista - Re-Animation, ex-Cursed Slaughter). A banda foi fundada em 2016 e em maio deste ano lançaram seu primeiro trabalho, o full-length "The Black Goat". O trabalho contém oito faixas autorais e pouco mais de vinte e sete minutos de duração. Foi gravado no Bay Area Studios e produzido, mixado e masterizado por Diego Rocha. O artista que assina a belíssima capa é Wendell Narkdemi

O pulo do gato do Kultist é a temática escolhida. Todas as suas músicas são baseadas nas obras de HP Lovecraft. De acordo com a própria banda, esse disco "conta histórias das páginas esquecidas de Necronomicon, encontrado nos escombros da universidade Miskatonic, na cidade de Arkaham". O álbum físico foi lançado por diversos selos e está também disponível em todas as plataformas digitais. 

Sem mais delongas, "Shub-Niggurath" atinge os falantes de forma direta e reta, sem introduções, barulhinhos ou qualquer coisa do tipo. A música surpreende aos mais desavisados que, baseando-se pela capa e temática, podem esperar por algo mais extremo. O som pesado e sujo (no bom sentido, obviamente) com uma levada cavalgada denuncia diferentes influências, mas de imediato, o Thrash se sobressai, evidenciado pelo vocal de Daniel, que remete à bandas clássicas da Bay Area. Em contrapartida, os backing vocals rasgados de Yasmin e Karine tem uma veia death/black, dando uma boa incrementada na composição, que possui uma levada viciante. "Kult Of Dagon" apresenta elementos calcados no black metal com sua crueza virulenta e tem um dos trabalhos e linhas vocais mais agressivos do álbum. As palhetadas casando com os pedais duplos criam uma atmosfera necessária para a parte lírica. O refrão soa como um clássico do metal. "Madness arise! Madness arise!"

O destaque de "The Crawling Chaos" e "Eternal Abyss" fica para os riffs e os ótimos trabalhos das guitarras com bases agudas, que conclamam a pesada presença da cozinha, comandando ótimas cadências. "Symphony of Madness" traz riffs atmosféricos e destacada participação dos backing vocals que tornam a obra mais obscura. A faixa possui um andamento mais acelerado e com boa variação rítmica. 

Em "Frozen Fear", o compasso vai de bastante arrastado para aquela levada que pega na veia, ditada pelos pedais duplos da bateria. A linha do baixo é talvez a melhor do álbum, com direito a um solo do instrumento, a presença é palpável e agradável de ouvir. Mais uma vez os vocais se destacam, somando ao som do Kultist e dessa vez, intercalam entre um ótimo agudo limpo e um rasgado agressivo, dando uma boa noção do grande leque musical da banda. 

"Sign in Blood" e "Black Swamp" fecham o álbum de estreia do e das paulistas. Ambas seguem uma pegadona thrash old school O timbre da guitarra da primeira é realmente muito bom, com peso que preenche o ambiente. A última música (faixa-bônus), que possui um dos melhores refrões de todo o álbum foi a primeira a ser divulgada pela banda através de um lyric video divulgado ainda em 2016. Confira aqui.

A experiência individual de cada integrante da Kultist culminou em uma banda diferenciada, mas com uma pegada clássica e honesta. "The Black Goat" é um puta pontapé inicial. Peca apenas na duração. Em menos de meia hora, tudo se acaba e só resta dar play novamente. 

O álbum físico está disponível nos selos abaixo:


Caso prefira a versão digital, "The Black Goat" está disponível em todas as plataformas de streaming. Confira algumas abaixo: 

quarta-feira, julho 31, 2019

::Resenha:: Clawn - The Great Excuse to Domination

Clawn - The Great Excuse to Domination (2011)

O Clawn é um trio brasileiro de Brutal Death Metal. Fundado em 1998 na cidade de Botucatu, interior de São Paulo, distante cerca de 240 quilômetros da capital. A banda possui em sua discografia duas demos, um EP e dois álbuns. O último deles, lançado no final de 2011 pela Black Hole Productions, e intitulado de "The Great Excuse to Domination" é considerado como um dos grandes trabalhos nacionais do metal extremo. O álbum é o último registro do trio, que entrou em pausa em 2012 para retornar com a mesma formação em 2018.

A música do Clawn é brutal, veloz, muito bem construída e com muita pegada. O peso de guitarras e baixo transbordam pelo fone de ouvido e os excelentes vocais rasgado e grave de Fabio Gonçalves e Rodolfo Carrega respectivamente, funcionam de maneira profissional. E como encaixam na sonoridade da banda. Com palhetadas insanas casando com o potente e incansável pedal duplo da bateria de Pedro Corrêa, a sonoridade deste álbum é uma aula de Death Metal. Suas composições soam completas, encorpadas, sem lacunas em lugar algum. Mérito do profissionalismo da banda e da produção que certamente captou a música como ela foi pensada: como um coice na fuça de um distraído. Ao ouvir esse álbum para redigir esta resenha, meu maior receio era o uso abusivo da palavra "brutal", porque dificilmente outra palavra resume melhor o Clawn e este álbum do que essa. Mas, além desta qualidade, a técnica e o feeling da banda se fazem muito notáveis também.

Composto de 12 faixas - sendo uma instrumental - e mais de cinquenta e dois minutos de duração, falar de faixa por faixa poderia ficar massante, portanto, decidi por pontuar as que mais se destacam, correndo o grande risco de deixar de lado excelentes obras, pois verdade seja dita, o álbum como um todo é primoroso.

"Hateful Redemption" além de toda a insanidade dos blast beats, riffs e pedais velozes, ainda encontra espaço para encaixar levadas cadenciadas com uma pitada soturna que somam à composição, criando uma atmosfera envolvente. "Unrelenting Need to Kill" tem um título visceral que casa com sua sonoridade death metal old school e também remete ao Malevolent Creation da fase "Eternal"/"In Cold Blood". "Religious Plague" rendeu um videoclipe à banda divulgado ainda antes do lançamento do álbum. A introdução reproduz um trecho do filme "Carrie, a Estranha" de 1976, onde a mãe de Carrie a arrasta pela casa, trancando-a em um armário, obrigando-a a rezar e assim, se purificar.A introdução foi escolhida para emoldurar a letra que aborda o fanatismo e a alienação religiosa. Aos gritos de protesto e pânico da garota, o terror musical se inicia em um blast beat vertiginoso e berros infernais dos vocalistas em uma linha tradicional do metal extremo explorando diferentes elementos da percussão e demonstrando grande repertório, especialmente da cozinha.

"Last Hours of Humanity" mostra mais um pouco da versatilidade do Clawn, com levadas que fogem um pouco do metal extremo e apresentam até algumas pitadas de thrash metal. "Fear the Truth", "Cursed Inherintance" e "Blessed by the Fake Light" também demonstram diferentes influências, inserindo ótimas levadas cadenciadas e arrastadas que contrastam ao mesmo tempo que harmonizam (se é que isso faz sentido) com o todo dessas composições. Faixas virulentas com pegadas contagiantes.

Finalizando esse grandioso álbum do metal extremo nacional, a banda apresenta a composição "Oblivion", com quase nove minutos e meio de duração, o que faz dessa, de longe, a faixa mais longa do full-length. Trata-se de uma obra completa, com partes arrastadas e uma certa dose de melancolia, que remete ao doom metal e ao black metal escandinavo, potencializado pelo vocal agudo/rasgado de Fabio e a percussão compassada e arrastada. A faixa ainda passa por momentos mais melódicos, com direito à dedilhados acústicos e uma atmosfera obscura e lúgubre. Grande escolha para fechar o CD.

Não à toa, The Great Excuse to Domination é um marco na carreira do Clawn, pois trata-se de uma obra de alto nível técnico, profissional, marca pessoal dos músicos e muita violência sonora. Com o retorno da banda às atividades, a expectativa pelo sucessor desse grande trabalho já é grande.

O álbum está disponível para audição online e à venda pela Black Hole Productions. Confira abaixo:

CD Digital:

Bandcamp

CD físico:

Black Hole Productions

Kingdom of Maggots: Lyric Video de The War Ends

Após anunciar seu retorno mais de uma década afastada dos palcos, a banda Kingdom of Maggots (Death Metal de Leme-SP) divulgou em suas redes sociais o lyric video para a faixa "The War Ends". Presente no CD demo "Slaughterous and Bloodthirsty", lançado no início de 2007, a faixa fala sobre o término de guerras, quando as baixas e prejuízos são calculados e quando nota-se verdadeiramente o tamanho da tragédia. O vídeo amador, composto de imagens reais de diversas guerras, incluindo as duas guerras mundiais, guerra do Golfo, Guerra do Vietnã e Guerra do Iraque foi produzido pelo próprio vocalista Flávio Diniz e divulgado como mais uma forma de celebrar o retorno dos lemenses às atividades após tanto tempo de silêncio. A formação que sobe aos palcos em agosto (17 em Leme e 25 em Americana) é a mesma que realizou o último show, em 2008. O já citado vocalista Flávio Diniz, Mário Sterzo no baixo, Felipe Marchi na guitarra e Nazir Neto na bateria. 

Dentre as outras novidades estão a volta de seu CD à venda (disponível diretamente com a banda através de sua página no Facebook), a disponibilização do mesmo em todas as plataformas de streaming e o lançamento de um novo modelo de camisetas, também disponível em sua página no Facebook.

Confira abaixo o lyric video lançado este mês no canal da banda: